
Transitar pelos gramados e corredores do ITA, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, em São José dos Campos, deixou de ser desejo somente dos vestibulandos que enfrentam a altíssima concorrência de 64 candidatos por vaga.
Grandes marcas de TI como IBM, Microsoft e Stefanini não se contentam em contratar os estudantes assim que eles saem da instituição. Cada uma dessas empresas montou um laboratório dentro do ITA e trabalha em projetos de relevância mundial com alunos do 3º e do 4º anos. “Durante o curso os alunos desenvolvem a capacidade de resolver problemas no prazo mais curto possível, o que para as empresas é essencial”, diz Celso Hirata, professor do ITA responsável pelos laboratórios das empresas dentro do instituto.
A crescente interação entre as escolas e o mercado fica ainda mais clara quando analisamos os dados do nono Ranking INFO dos Melhores Cursos de Computação do Brasil. Na graduação, todas as 30 faculdades de computação que compõem o ranking têm convênio de pesquisa com empresas. PUC-Rio e UFRJ têm projetos com a Petrobras. A UFPE desenvolve em parceria com a Motorola. A Poli trabalha com nomes como a Ericsson e a Philips, e a Unicamp tem entre os parceiros o CNPq, a Itautec, a Intel e o Ministério da Fazenda. “É uma reivindicação dos próprios alunos, que querem conhecer mais o mercado de trabalho”, afirma Fabio Mokarzel, coordenador do curso de Engenharia da Computação do ITA.
Os alunos pedem, e as empresas precisam. “Falta gente para o Brasil virar uma Índia”, diz Kátia Pessanha, gerente da área de alianças com universidades da IBM Brasil. Uma das iniciativas da empresa no meio acadêmico é o projeto Academic Iniciative, que oferece os programas da companhia gratuitamente para as faculdades. Implantado no Brasil há quatro anos, o projeto atendeu 350 instituições e 15 mil alunos. A TCS (Tata Consultancy Services), uma das maiores consultorias de tecnologia da Índia, segue a mesma estratégia. Consultores indianos estão certificando professores em faculdades de tecnologia. A idéia é oferecer cursos extracurriculares que capacitem os alunos para serem desenvolvedores da Tata. “Com tecnologias caducando e novas surgindo rapidamente, cabe às empresas complementar a formação”, diz Joaquim Rocha, diretor de RH da TCS Brasil.
40 mil diplomas por ano
Segundo o Instituto Brasileiro de Convergência Digital, cerca de 40 mil alunos concluem a graduação na área de TI todos os anos no país. Mas a tendência é que eles enriqueçam a formação cada vez mais fora da sala de aula. “Na universidade o aluno tem de aprender a aprender. Precisa descobrir formas de usar os conceitos básicos para entender o novo e não ficar preso a linguagens de programação da moda”, afi rma Ricardo Torres, professor e membro da coordenação do curso de Ciência da Computação da Unicamp, que ficou no topo da lista de graduação neste ranking INFO.
Para identificar quais são e onde estão os melhores cursos de computação do Brasil, a INFO enviou em julho um questionário de avaliação para 407 coordenadores de graduação (com 29 perguntas) e 105 de pós-graduação (com 25), espalhados por todo o país. Desse total, 136 cursos responderam.
Para a nota final, também valeu a opinião do mercado. Enviamos formulários para 837 empresas, com perguntas sobre o perfil que querem ter em seus quadros e as faculdades que formam os melhores profissionais. As respostas vieram de grandes nomes como Petrobras, Unisys, Telefônica, IBM, Danone e Banco Santander.
Os dados foram cruzados para se chegar ao veredicto. Na graduação, a Unicamp aparece nas duas primeiras posições com os cursos de Ciência da Computação e Engenharia da Computação. Em seguida vêm a UFRGS, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a USP de São Carlos, a Poli e o ITA. Na pós, os primeiros lugares no ranking foram para o Rio de Janeiro, com a Coppe/UFRJ e PUC-Rio. A relação completa das campeãs, você confere abaixo.








