Tim Toulmin, responsável pelo grupo inglês Press Complaints Commission (PCC) sugeriu que proprietários de blogs e criadores de conteúdo para a Internet deveriam concordar com um código de conduta voluntário para regulamentar o que eles publicam na Rede.
O grupo já é famoso por ter desenvolvido um código de ética jornalística (que pode ser lido em pcc.org.uk, assinado voluntariamente pela maior parte dos representantes de jornais e revistas inglesas). Entre os tópicos cobertos pelo código de ética estão temas relacionados ao pagamento de criminosos por matérias, ao respeito à privacidade das pessoas, a notícias que envolvem crianças e à oportunidade para todos os lados de um debate responderem.
Grandes agências, como é o caso da Al-Jazira e da NPR, possuem códigos próprios de conduta ou assinam códigos como o da Press Complaint Comission, ou o da Society of Professional Journalists (spj.org). Mesmo com a existência de guias para blogueiros na Internet, poucos seguem regras de conduta e ética.
De acordo com o site Ars Technica, na Inglaterra poucos sites de notícia assinaram o código de conduta, exceto por algumas versões online de publicações impressas. O próprio Ars Technica não assinou qualquer código formal, embora declare que seus princípios estejam equiparados aos respeitados pelo código de ética jornalística.
O assunto surgiu em uma conferência para o debate sobre racismo em Londres. Tim Toulmin declarou-se contra um controle do governo sobre a Internet. Para o diretor, "liberdade de expressão" e "liberdade de imprensa" são termos relativos na Internet, porque são governados por leis como de proteção de dados e contra falsas acusações.
Um código voluntário, então, seria a solução para que o conteúdo fosse verificado sem intervenção do governo, o que Toulmin diz ser o modelo ideal. "Não estamos a favor do controle na Internet. O fluxo de informação não deve ser controlado por nenhum governo", explicou.
Para Toulmin, um código voluntário ajudaria a frear os abusos cometidos em sites de notícia. "Se você quer ver como seria a indústria do jornal se não fosse inspecionada, então olhe a Internet", declarou em uma conferência recente. Alastair Campbell, que presidiu o evento, afirmou que mesmo encarados positivamente, alguns blogs trazem conteúdos extremamente ofensivos.
Entre os trabalhos da organização está a investigação de artigos de jornais e revistas questionados por leitores. Assim que um pedido de verificação é feito, a comissão tem 25 dias para investigar. Em um caso recente, uma carta de uma leitora foi editada de maneira imprópria na revista inglesa Our Dogs. A comissão exigiu que a carta fosse reimpressa explicando o motivo da nova publicação.
É claro que um código voluntário de conduta ajudaria a melhorar parte do conteúdo oferecido na Internet, mas seria difícil atingir sites propositalmente criados com o intuito de divulgar o racismo ou qualquer outro tipo de opinião do gênero, que dificilmente assinariam tal código.
Uma pesquisa recente da Technorati, que cataloga conteúdo de blogs, aponta que diariamente surgem 100 mil novos blogs e 1,3 milhão de artigos são postados, conforme noticiou o site da BBC.
Fonte: Terra